Liège-Bastogne-Liège/Flèche Wallonne

Liège-Bastogne-Liège

Conhecida como a “Velha Senhora”, a Liège-Bastogne-Liège é um dos grandes monumentos do Ciclismo europeu e a mais antiga prova disputada num só dia. A primeira edição teve lugar em 1892, apenas para amadores, mas dois anos depois já era uma competição aberta a profissionais. Hoje em dia faz parte do calendário do ProTour, sendo organizado pela ASO, seguindo-se à Flèche Wallonne, disputada na 4ª feira anterior.
As duas provas chegaram a realizar-se em dias sucessivos naquele que ficou conhecido como o “Fim-de-Semana nas Ardenas”. No passado, apenas seis ciclistas conseguiram ganhar ambas no mesmo ano. O último foi Alejandro Valverde em 2006, tendo o espanhol juntado o seu nome aos do suíço Fredi Kubler (1951 e 1952), dos belgas Stan Ockers (1955) e Eddy Merckx (1972) e dos italianos Moreno Argentin (1991) e Davide Rebellin (2004).
A prova tem lugar entre as cidades belgas de Liége e Bastogne, na região da Ardenas. A primeira parte, até Bastogne, com 95 km, é relativamente plana, sem grande história. No regresso a Liège tudo se complica. São 163 km com várias subidas com nomes bem conhecidos como Stockeu, Haute-Levee, La Redoute, Saint-Nicolas e Col de Forges. As inclinações variam entre os 5 e os 11,6 por cento, em percursos que vão de 1 a 3,9 km.

Flèche Wallonne

Bem mais recente que a Liège-Bastogne-Liège, esta competição ciclista só surgiu no calendário em 1936, sendo organizada pelo jornal Les Sports. Ainda que hoje em dia também faça parte do ProTour, nunca conseguiu a notoriedade da sua congénere das Ardenas.
Ao longo das várias edições teve diferentes percursos com distâncias que chegaram aos 300 km. Actualmente, são 199,5 km, com início na cidade de Charleroi e final em Huy, onde há que fazer três voltas a um circuito bem complicado, incluindo o famoso “muro”, com várias subidas que chegam aos 15 por cento de inclinação.

Paris-Roubaix

No Domingo, dia 15, irá decorrer a 105ª edição da mítica Paris-Roubaix, um dos “monstros sagrados” do ciclismo mundial. Criada em 1896, só as duas Guerras Mundiais levaram a que não se realizasse. Inicialmente ligava a capital francesa a Roubaix, numa viagem de aproximadamente 250 km a caminho do norte gaulês e da cidade de Roubaix. Desde 1968, a prova parte de Campiégne.

Seria uma competição normal de um dia se não incluísse vários quilómetros (um pouco mais de 50 na edição deste ano) do temido “pavé”, um piso de calçada, muito irregular, onde cada músculo do ciclista sofre a bom sofrer. Junta-se a isso uma grande facilidade de acontecerem furos.

Desses sectores de calçada com largos paralelepípedos, o destaque ia para o “Carrefour de l’Abre”, entre Wallers e Arenberg, que deixou de ser utilizado na edição de 2005 devido à grande deformação do terreno. A zona foi reconstruída e volta este ano ao percurso.

Mas esse é apenas um dos muitos sectores de “pavé” entre campos de beterraba, onde os ciclistas têm quase sempre de pedalar em fila indiana, para mais devido ao muito público que se concentra nessas zonas. À “festa” junta-se frequentemente um forte vento de norte, capaz de derrubar tudo e todos.

Na edição do ano passado a vitória pertenceu ao suíço Fabien Cancellara.

Tour de Flandres

Domingo, dia 8 de Abril, depois do meio-dia, irá disputar-se uma das maiores clássicas de um dia, a Tour de Flandres, reunindo a fina-flor do Ciclismo mundial numa das “pátrias” das duas rodas, a Bélgica.

Ao todo são 259 km de prova, marcados por constantes mudanças no perfil da estrada. Apesar de não haver subidas significativas (a montanha mais alta da Bélgica tem um pouco mais de 300 metros de altitude…), o percurso é verdadeiramente “parte pernas”, sobretudo a partir dos 130 km de prova, já que até ai, e desde a partida em Brugge, os quilómetros iniciais são para roladores. Ao tudo serão 18 subidas, muitas com inclinação acima dos 10 por cento, sendo a última antes da meta em Ninove uma das mais complicadas: o famoso Bosberg, cerca de 700 metros a 18 por cento, tudo no sempre temido paveé. Nesse tipo de piso, destaque ainda para os 3000 metros da zona de Kerkgate (km 135), os 2100 metros de Mariaborrestrast (antes do km 190) e os 2000 metros de Haaghoek (km 203).

Esta vai ser a 91ª edição da prova que se iniciou em 1913 com a vitória do local Paul Deman. A ideia para o evento partiu de Karel Van de Wijnendaele, editor do jornal desportivo de língua flamenga, “Sportwereld”, que deu assim continuação ao que acontecia então nas provas de automóveis. E com isso iniciou outra tradição: que fossem os jornais a organizar grandes competições de ciclismo.

Até à II Grande Guerra Mundial o Tour de Flandres manteve-se como uma prova quase exclusivamente entre ciclistas belgas, disputando-se muitas vezes no mesmo dia da famosa Milan-Sanremo. Só a partir do último grande conflito mundial é que começou a ganhar grande interesse internacional. Actualmente, há quem a considere a mais bela das provas de um dia.

O Tour de Flandres está inscrito no ProTour desde 2005. Nesse ano e em 2006 o vencedor foi sempre o mesmo: o belga Tom Boonen, que parte para a edição 2007 com o nº1 na bicicleta da equipa Quick Step Innergetic e disposto a conseguir uma tripla em anos consecutivos, feito só alcançado pelo italiano Fiorenzo Magni entre 1949 e 1951. Com três vitórias, mas não consecutivas, encontramos ainda no palmarés das 90 edições anteriores os nomes dos belgas Achiel Buysse, Eric Leman e Johan Museeuw.

65º Paris-Nice

De 11 a 18 de Março irá para a estrada a 65ª edição da clássica Paris-Nice. À partida vão estar 18 das 20 equipas do ProTour. As excepções são a Unibet e a Astana, as mais recentes a entrar nesse grupo exclusivo.
O Paris-Nice iniciou-se em 1933, e é conhecida como a “Corrida do Sol”. Esta 65ª edição arranca com um prólogo em Issy les Moulineaux, terminando na Promenade des Anglais, em Nice. Pelo caminho, os ciclistas vão disputar 7 etapas em linha, sendo que haverá alguma montanha de respeito, com destaque para a subida de Croix Neuve.
O espectáculo promete, tanto mais que nos últimos três anos, os dois primeiros no final da prova nunca ficaram separados por mais de 15 segundos.

10000_course_peloton2.jpg

Publicado em Ciclismo. 1 Comentário »